A Tartaruga de Darwin leva ao palco uma crítica sobre as escolhas da sociedade


10/11/2017 16:14 - Do Clickcultural

Ana Cecília Costa interpreta segundo texto do premiado autor espanhol que faz uma reflexão crítica sobre a condição humana e sua trajetória sobre o planeta, promovendo um embate necessário e urgente sobre nossas escolhas como sociedade.

Autor espanhol premiado e de grande prestígio no teatro contemporâneo, Juan Mayorga tem formação eclética e consistente (matemática, filosofia e teatro) e faz da sua dramaturgia uma arena política e filosófica, onde temas caros ao debate são postos em cena. Com o texto A Tartaruga de Darwin não é diferente. Mayorga utiliza-se do recurso da fábula animalizando a protagonista (como nas obras de Franz Kafka) para, através da centenária tartaruga, rastrear o caminho percorrido pela humanidade e fazer uma reflexão crítica sobre o que resultou desta trajetória.

Em tom de fábula, a peça conta a história de um famoso historiador que recebe a visita de Henriqueta, uma enigmática senhora que se apresenta como a centenária tartaruga capturada pelo cientista inglês Charles Darwin nas Ilhas Galápagos e que serviu de pesquisa para a criação da “teoria da evolução das espécies”.

Prestes a completar duzentos anos, Henriqueta sobreviveu a uma série de marcos históricos como a Revolução Industrial, duas guerras mundiais, queda do muro de Berlim, entre outros. A tartaruga “evoluiu” e tornou-se uma velha senhora, cujo maior desejo agora é voltar para sua casa, as Ilhas Galápagos, e morrer em paz longe da civilização. Henriqueta vai ao encontro do Professor e propõe um acordo: ela lhe conta tudo que sabe e, em troca, ele a ajuda no seu retorno a Galápagos. Sendo uma testemunha peculiar, já que conhece a História de baixo, do ponto de vista do chão, seu relato irá surpreender o Professor.

O interessante neste texto é que ele é visto sob o ponto de vista da tartaruga, uma testemunha ocular que viveu 200 anos de história. “Não vamos fazer silêncio porque temos memória. O teatro é uma arte da memória. Recordamos todas as guerras desde os gregos. Todas as vítimas, cada uma delas. E todas elas estão hoje, novamente, em perigo”, afirma o autor.

Com clara influência do pensamento de Walter Benjamim, Mayorga mostra uma história tecida por relatos e pequenos gestos anônimos, onde o que importa é a memória íntima. A Tartaruga de Darwin debate de forma bem humorada, criativa e inteligente a crise política, ética, ecológica em que a civilização ocidental está mergulhada (guerras, êxodos, fome, colapso ecológico). Ao final do texto, Henriqueta questiona: “De todos os animais, o homem é o mais idiota e nocivo. Por onde quer eu olhe, só vejo gente que se comporta como bestas e gente sendo tratada como bestas. Charles não previu isso. Não previu que o homem evoluiria até a monstruosidade. Vamos ver se com a mudança climática surgem mutações humanas decentes.”

SERVIÇO

A TARTARUGA DE DARWIN
Sesc Ipiranga (200 lugares)
Rua Bom Pastor, 822
Telefone: (11) 3340.2000 | www.sescsp.org.br/ipiranga
Bilheteria: De terça a sexta das 12h às 21h, sábado das 10h às 21h30 e domingo e feriado das 10h às 18h (ingressos à venda em todas as unidades do Sesc e pelo Portal Sesc SP www.sescsp.org.br). Não tem estacionamento.

Sexta e Sábado às 21h
Domingo às 18h

*Sessão extra: 24/11, 01 e 08/12 - às 17h*

Ingressos:
R$ 30
R$ 15 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante)
R$ 9 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes)

Duração: 70 minutos
Recomendação: 14 anos

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